Webinar 12/9 and 12/10: Fecundações Cruzadas: concebendo corpo-pensamento entre filosofias ameríndias e epistemologias transfeministas

On December 9th and 10th the Wenner-Gren Foundation in partnership with Revista de Estudos Indígenas/Ethnology Research Center of Campinas State University (CPEI/Unicamp), Amerindian Studies Center of University of São Paulo (CEstA/USP), and the Research Group on Anthropology of the Body of Federal University of São Paulo (AnCA-UNIFESP), will be presenting, “Fecundações Cruzadas: concebendo corpo-pensamento entre filosofias ameríndias e epistemologias transfeministas”.

Organized by Lucas da Costa Maciel, University of Sao Paulo, Brazil, Bru Pereira, Independent Scholar, and Diego Madi Dias, University of Sao Paulo, Brazil.

Be sure to check out a livestream of the webinars here. No registration is required.

ABOUT THE WEBINARS:

In this webinar, participants will discuss the future of anthropological reflections regarding the academic production of Amerindian ethnology. In an effort to explore the possibilities that arise from a conceptual “contact zone” between Amerindian philosophies and transfeminist thought, the conversation will bring together modes of perception and knowledge that decenter the paradigm of Cartesian rationalism that is often at the heart of the project of modernity. While there are very real differences between these two world views, the potential for imaginative practices that facilitate the generation of shared futures is enhanced by bringing them together. We aim to expand the conversation around the possible connections between these two conceptual universes, with the hope of creating a community of researchers who engage in the work of building a shared dialogue and research agenda based on the possibilities of cross-fertilization between them.

 

Programa do Webinário
Fecundações Cruzadas: concebendo corpo-pensamento entre filosofias ameríndias e epistemologias transfeministas 

Dias 09 e 10/12/2020
Transmissão online: https://is.gd/fecunda
Nenhuma inscrição é necessária
Idiomas: Português e Espanhol
Organização: Bru Pereira, Lucas Maciel e Diego Madi Dias

09/12
 
10:00  CONTATO – Sobre Fecundações Cruzadas
Bru Pereira (Unifesp)
Lucas Maciel (USP)
Diego Madi Dias (USP)

10:30 CONEXÃO #1 – Arte drag e contra-colonialidade
Maximiliano Mamani / Bartolina Xixa
Mediação: Lucas Maciel (USP)

14:00 ENCONTRO #1
Amanda Signori (Unifesp)
Thiago Oliveira (USP)
Diógenes Cariaga (UEMS)
Lucas Maciel (USP)
Mediação: Diego Madi Dias (USP)

17:30 CONEXÃO #2Retomada Wigudun
Yineth Muñoz (Comunidad Wigudun Galu)
Mediação: Diego Madi Dias (USP)

10/12
 
09:00  CONEXÃO #3 – Arte e Experimentação
Sebastián Calfuqueo (Colectivo Mapuche Rangiñtulewfü)
Mediação: Lucas Maciel (USP)

10:30 ENCONTRO #2
Melvin Aït Aïssa (EHESS)
Fabiana Maizza (UFPE)
Bru Pereira (Unifesp)
Mediação: Lucas Maciel (USP)

14:00 ENCONTRO #3
Tanaíra Sobrinho (UFMS)
Enoc Merino (UFRJ)
Diego Madi Dias (USP)
Mediação: Bru Pereira (Unifesp)

17:30 CONEXÃO #4 – Descentrar o humano
Antonio Calibán Catrileo (Comunidad Catrileo+Carrión)
Mediação: Bru Pereira (Unifesp)

O Webinário é um esforço de explorar aproximações ainda inéditas entre dois universos conceituais: as filosofias ameríndias e as epistemologias transfeministas. Reconhecendo suas devidas diferenças, os dois campos mencionados compartilham de uma capacidade profícua de engajamento com práticas imaginativas que permitem vislumbrar outros futuros (in)comuns, de modo que a interface entre eles potencializa seu horizonte criativo. O objetivo do webinário é explorar uma “zona de contato” entre o pensamento ameríndio e o pensamento transfeminista, aproximando modos de percepção e de conhecimento dissidentes em relação ao racionalismo e à normalização moderno-ocidentais. Com este seminário se quer ampliar a conversa em torno das conexões possíveis entre esses dois universos conceituais.

Por filosofias ameríndias queremos exprimir os estilos de criatividade e pensamento correspondentes aos povos ameríndios, uma multiplicidade de formas de engajamento com problemas de ordem conceitual e material. Ao mesmo tempo em que desafiam a metafísica do Ser, tais filosofias parecem se dedicar à heterogeneidade, à multiplicidade e à propagação no nível da experiência pessoal. Se existem muitos mundos possíveis, esses mundos estão sempre relacionados a pessoas determinadas. Mundo para quem?, então. No centro das reflexões ameríndias está a possibilidade de se tornar outro, devir que se administra por meio das tecnologias corporais e de pensamento. As filosofias ameríndias estão marcadas por uma relacionalidade radical que coloca a identidade a serviço da diferença. Nesse contexto, os binarismos e oposições contrastivas são revogáveis ou provisórias, muitas vezes um recurso para modificar e proliferar.

Por epistemologias transfeministas buscamos sintetizar implicações sobre o modo de se produzir conhecimento a partir de uma perspectiva situada na experiência e no pensamento queer, nos estudos transviados e na crítica aos modos binários de pensamento que herdaram das movimentações trans uma forma própria de interrogar as normas, explorando as falhas, as intermitências, as linhas de fuga e os modos de (r)existência forjados por meio de saídas criativas frente àquilo que nos impede de seguir. Imaginamos a perspectiva epistemológica transfeminista a partir de uma dupla desconexão: primeiro uma desconexão analítica e experiencial com a heterossexualidade compulsória; em segundo lugar, uma desconexão semiótica e material com a “naturalidade” da diferença sexual. Essas duas desconexões permitem, enfim, instaurar novas conectividades.

Como resultado, esperamos que o seminário abra e impulsione caminhos possíveis para as conexões entre os dois campos de pensamento mencionados. Esperamos que a conversa inspire problematizações sobre a “consciência de si” que organiza a prática antropológica em termos epistemológicos. Este esforço reconhece, em primeiro lugar, a necessidade de deslocar sujeitos de enunciação e recepção pressupostos no conhecimento antropológico que conduzem a relações masculinistas, heteronormalizantes, raciais e coloniais, entre outras coisas. Esta discussão se faz imprescindível no momento em que o processo de democratização do acesso e da produção de conhecimento antropológico se encontra em risco, tanto no Brasil, quanto nos demais países das Américas. Por outro lado, parte da necessidade de simetrizar e pluralizar a antropologia, tendo em vista a presença fundamental e cada vez mais acentuada de pares indígenas, queer e negros, o que exige um recalibramento da partilha epistemológica por trás das práticas antropológicas. Este seminário demanda, assim, um corpo-pensamento que excede a heteronorma que dá contornos à tradição disciplinar e às formas convencionais de descrição antropológica.